quinta-feira, 7 de maio de 2026

Capítulo 2 - Estava num barco... (Através do Sonho Cap 2 Versão 1)


 Arf arf arf...

    Passos apressados de uma corrida ecoavam pela floresta, chamando a atenção dos Pokemon locais, que saíam de seus esconderijos para verem o que estava acontecendo. Era uma garota de pele negra, olhos verdes preocupados e cabelos longos despenteados cheios de galhos e folhas entrelaçados entre os fios trançados. Mal conseguia enxergar na selva escura e usava as mãos para afastar plantas e abrir caminho, fugindo de alguma coisa.


  Aai!  A garota tropeçou em alguma raiz de árvore, caindo de quatro no chão. Seus joelhos ralaram no impacto e ela mordeu o lábio inferior, sustentando a dor ao se levantar.  Droga...


    Um estrondo ressoou pela floresta e vários Pikipek levantaram voo, enquanto Yungoos e Grubbin corriam apavorados. A garota abraçou-se contra o peito, e olhou para trás, vendo dois olhos brilhando em vermelho. Seu coração quase saltou para fora. O medo a consumiu, e ela ainda tentou correr, mas seu pé prendeu em alguma coisa que não conseguia ver.

  BEEEWEAAAR!


    O ser de olhos vermelhos se revelou na fraca luz que vazava entre as folhas altas das árvores, sendo um grande Bewear que flexionou seus braços e rugiu, fazendo toda a floresta balançar. A garota suava com medo, mas não conseguia sair daquele lugar, quando o urso veio correndo com os punhos erguidos em sua direção e ela apenas fechou os olhos, temendo o seu fim. Mas...


NYAAAAAAAAAAH!



    Você já se perguntou o que faz uma Trial Captain de Alola em seu tempo livre? Não? Tudo bem, eu também não sou muito interessada na vida dos outros... Certo, estou mentindo, eu adoro uma boa fofoca. Por isso gosto de ler.


    Peguei esse livro "Travessia do Mar" com a Acerola porque ela disse que eu ia gostar, e até que é bem interessante. Ele foi construído com inspiração em murais reais encontrados em antigos templos por toda Alola, e a história se passa no tempo dos ancestrais que primeiro habitaram nossas ilhas, e...

  Irmãããããã!!  As gêmeas Júlia e Sarah invadiram o quarto de Lana, afastando uma cortina de conchas presas em cordinhas brilhantes que faziam um som agradável ao mexerem e serviam de porta.


  Nem pensem em entrar aqui, é o meu quarto!  Lana se emburrou, fechando o livro, e as duas ficaram rindo na entrada, ameaçando colocarem os pés para dentro.  O que é que vocês querem?!


  Vamos brincar com os Pokemon!

  É, leva a gente pra uma aventura no mar aberto!!

  Hm, deixa eu pensar um pouco sobre isso... Não mesmo!  Lana sorriu vendo as duas se emburrarem.  Me deem licença que estou ocupada aqui, vão perturbar o Stoutland do vizinho!

    Ahhh, o que eu dizia? Sim, os primeiros habitantes de Alola. Eu sempre me interessei pelas histórias deles. Eram navegadores incríveis que exploraram o continente em barcos, aliados dos Pokemon do mar! Nesse capítulo, a capitã Hina se guiou pela luz da lua após uma tempestade, e...


  O que você tá lendo?  As duas gêmeas surgiram por trás de Lana em sua cama, que piscou assustada e saltou para fora dela, ficando de pé.  Hihihi!


  Vocês não tem nada melhor para fazer, não?!

 — Queremos ficar com vocêêêê!  Elas engatinharam pela cama, chegando até a beirada, e Lana recuou com o livro, envergonhada.


  Eu... Ai, só me deixem em paz!!  Ela correu para fora do quarto, descendo as escadas de madeira.

    Lana calçou suas sandálias, pegou uma bolsa que cabia seu livro espremido junto de um caderno e das iscas de peixe, e saiu de casa, ignorando o cheiro bom do almoço que sua mãe preparava.


    Ela se apressou pela aldeia, desviando das crianças só de bermudinhas perseguindo um Comfey que espalhava pétalas pelo ar.


  Alola, Lana!  um rapaz descamisado bastante musculoso fez a saudação de boas vindas típica do arquipélago para ela enquanto um Mudbray quase engolia sua mão para pegar uma maçã.


  Alola...  Lana devolveu o cumprimento rapidamente, mas o Mudbray mastigando a maçã a arrancou um sorrisinho.

  Está indo para a Colina do Riacho, não está?  perguntou o homem que agora desistiu da maçã.  Posso te dar uma carona!

  Eu agradeço, vou aceitar!


    O Mudbray se juntou a mais outros dois que puxavam uma carroça. Lana se sentou onde achou mais confortável, afastando palha para os lados, e logo estavam caminhando.


    Esticada sobre uma rocha estava Mareanie, servindo de musa para uma aula de pintura comandada por uma senhora com muitos colares e olhos pequenos, dentro de uma tenda aberta.

  Maaaary!  exclamou Mareanie assim que notou Lana na carroça, saltitando apressada para fora da tenda e frustrando os alunos enquanto a senhora ria.

    Mareanie se aconchegou no colo da garota, que sorriu vendo sua expressão tranquila. Ela voltou a pegar em seu livro, encontrando a página onde parou.


    Certo, onde estávamos? Hina e os outros navegantes sobreviveram a uma tempestade repentina, que foi interpretada como um aviso de que o Grande Oceano estava descontente com eles velejando em suas águas. Hina estranhou. Ela havia guiado o povo de Alola para todos os cantos, descobrindo novas ilhas e sempre cultuando o poder de Oceano.


    Naquela noite, Hina fez suas preces a Wela, oferecendo conchas e pedindo que o fogo do arquipélago guardasse seu povo na viagem. Ela decidiu não mudar a rota. A capitã sabia se guiar no mar, sabia exatamente aonde estava e tinha a certeza de que seguia na direção certa para encontrar uma nova ilha.

  Está entregue!  O rapaz acenou para Lana, que abraçava o livro, e Mareanie. Logo partiu com os Mudbray pela estrada.

    Lana seguiu pela rota até o local de seu trial, vendo de longe algumas Lapras nadando juntas. Mareanie cumprimentou alguns Yungoos conhecidos pelo caminho, e num piscar de olhos já estavam onde queriam.


    A Trial Captain  se esticou e respirou fundo, fechando os olhos e sentindo a brisa fresca no rosto. Ela foi até a margem do rio, avistando seu rádio no mesmo local que o deixou ontem após a falha. Sentiu um arrepio, lembrando de como ele estava estranho, se recusando a desligar. 

  Preciso relaxar  disse para Mareanie, que assentiu puxando óculos de sol sabe-se lá de onde.


    Lana acenou para uma das Lapras, que se aproximou sorridente. Tentou abrir o compartimento anexado ao casco dela, mas ela se fez de difícil, precisando ser comprada com carinho por baixo do queixo para ceder. Do compartimento, Lana pegou um anzol daqueles que ficam pequenos e aumentam quando o pressionam, prendeu sua isca e sentou de pernas cruzadas.


    Pescar costumava ser a terapia para Lana, mas hoje estava difícil de manter a concentração. Enquanto Mareanie boiava despreocupada, seus pensamentos a levavam de volta para aquele espaço vazio de ontem. Nenhum Kahuna ou Captain acreditou na história, mas ela tinha certeza que tudo aquilo havia acontecido de verdade. Não podia estar doida, como a Mina que inventou que sua Ribombee podia Mega Evoluir e espalhou o boato por aí. E ainda... Será que Mallow acreditou em mim?


  Marya!  Mareanie a alertou para um peixe que mordeu a isca, mas Lana reagiu tarde demais, perdendo-o.

  Droga...  Ela levou uma mão à cabeça, enterrando os dedos nos cabelos.


  Lana, desse jeito os peixes vão te pescar primeiro!  disse uma voz meio rouca que a deixou com um tique nervoso no olho.



É verdade que falei que não precisavam ligar para o meu pai, mas por experiência própria, essa é uma tarefa muito difícil. Ele sempre aparece exatamente quando você menos está afim de vê-lo, e quando começa a falar, não para. Ainda bem que não sou assim.


    Lá estava o pai de Lana, de pé em seu barco com uma rede caída nos ombros. O nome "Hoku" estava gravado na proa e as grandes velas balançavam suavemente. A pintura descascada brilhava com o sol, mas ainda dava para ver os detalhes de ondinhas que o enfeitavam.

  Alola, pai  Lana deu o melhor sorriso que podia no momento.


  Que cara é essa? Parece que viu um Gyarados de saia!


  Como se fossem acreditar se eu tivesse visto mesmo...
  Lana resmungou, mas ele ouviu, alisando a barba enquanto tentava decifrar o que se passava com ela.

  Eu já vi muitas coisas estranhas no mar
  por fim ele disse, e Lana levantou uma sobrancelha. — Acho que está precisando velejar no Hoku!

  Eu não...
  Ela começou, mas seu pai atirou a rede para cima dela.


  Te peguei, agora vai ter que vir!
  Ele sorriu e ela não sustentou a cara séria, soltando um risinho.

    Em alguns minutos, Mareanie estava agarrada ao mastro, com um de seus tentáculos fazendo sombra sobre os olhos e outro apontando para o horizonte do riacho. Lana estava debruçada no convés, já acostumada com o cheiro azedo de peixe, e abriu seu livro para retomar a leitura, quando seu pai o tirou de suas mãos.

  Ei!!

  Uuuh! Travessia do Mar, esse é bom!  ele disse, e Lana tentou pegá-lo de volta, mas era baixa demais para alcançar os braços elevados de seu pai.  Meus pais sempre estavam contando histórias da Capitã Hina e os monstros que ela enfrentou em suas aventuras! Foram os descendentes da tripulação dela que passaram essas histórias de geração em geração para esse livro existir. Legal essa versão com desenhos dos ancestrais.


  É, muito legal... E eu estava prestes a descobrir se Oceano estava bravo com ela ou se a tempestade era obra de algum monstro, mas você me interrompeu!

  Haha! Desculpa, vou te devolver. Mas o que acha?

  Como assim?
  Ela pegou o livro de volta, um pouco envergonhada.

  Da história.
  Ele voltou ao mastro, controlando a direção do Hoku para descer até outra parte do riacho.  Acha que Oceano estava bravo com ela?


  Ah... Eu acho que isso não faz muito sentido, só a tripulação dela temia ele. Hina nunca teve problema com os Pokemon do mar e guiou todas as expedições porque confiava em Oceano. Ela não estava em busca dos seus tesouros, ela queria encontrar novas ilhas e continuar levando a história do seu povo adiante.


  Hmmm. Oceano é pai de todas as águas, mas também testava aqueles que navegavam nelas. Meus pais contavam que sua ira abria rasgos no mar, fazendo muitos barcos desaparecerem.

  Como assim rasgos?  Ela o perguntou, e ele continuou olhando para o horizonte, girando o mastro.  Você já viu algo assim?


 — É raro te ver interessada numa história minha! Vai me contar o que está ocupando sua cabeça?

    Era óbvio. Ele sempre fazia isso. Me distrai com conversa para conseguir a informação que quer de mim, e eu sempre caio.


  Ontem, no rio... eu vi uma coisa estranha. Tipo um buraco onde a água sumia. Tudo sumia, na verdade. Os Pokemon ficavam imóveis e não dava para respirar...  Ela apertou o olhar enquanto contava, como se revivesse a cena.  Todos os Pokemon da colina ficaram apavorados. Eu... quase não voltei. Devo minha vida à Mareanie, Alomomola e os outros.

  Maaary!  Mareanie saltou para perto dela, recebendo carinho no queixo.

  Você relatou à Olivia e os outros?

  Não acreditaram.

  Eu acredito — Lana o olhou surpresa.  Não é qualquer coisa que faz o rio engolir a si mesmo. Assuma o mastro, me leve até onde isso aconteceu.

    Lana sentiu o coração acelerar, mas trocou de lugar com o pai, fazendo uma curva para mudar a direção do Hoku. Seu pai se espreguiçou, coçando o peito por baixo da camiseta folgada.


  Meus avós não eram descendentes de Alolanos  ele disse, e Lana o olhou de canto, com Mareanie no ombro.  Mas se inspiraram em histórias como a de Hina para velejarem num barco como esse, deixando Johto para conhecerem outras terras, até encontrarem Alola e fazerem daqui um lar. Meus pais nunca pararam de velejar, e parece que eu e você também mantemos essa tradição.

  Nós... Chegamos  Lana interrompeu, e Mareanie se recolheu com os tentáculos, com medo.

  Mergulhamos, então!  Seu pai retirou a camisa, saltando para o rio e fazendo um splash que molhou o rosto de Lana.

    Na água, alguns Wishiwashi emergiram, olhando para Lana um tanto aflitos. Ela respirou fundo e desamarrou a calça e o top, ficando de maiô para também mergulhar.


    Por baixo d'água, ela viu o seu pai fazendo caretas para alguns Pyukumuku. Lembrava da direção que o Wishiwashi a guiou, e acelerou para lá, mas tudo estava de acordo. Nenhum pedaço faltando ou abertura para o vazio. Alguns Wishiwashi até dormiam ali.

  Hm!  Lana sentiu uma mão em seu ombro e se virou para o pai, que apontava para o alto como se dissesse que precisavam respirar agora.

  Hm!!!
  Lana se recusou a voltar, queria provar que tinha mesmo algo errado, ela tinha certeza...! Estava indo mais fundo quando o braço de seu pai passou por baixo dela e a puxou para a superfície, onde finalmente respiraram.  Aaarf! Pai, vamos voltar! Eu tenho certeza que...

  Lana, não tinha nada
 fora do comum  ele disse, com os cabelos grudados na testa.

    Lana arregalou os olhos, sentindo o rosto esquentar.
 Ele achou que eu inventei. Ele acha que estou mentindo.

 
 Está ficando mais criativa nas suas brincadeiras!

  Maaary, mary...
  Mareanie se entristeceu ao ouvir a risada do pai de Lana, que olhava para o céu com a boca semiaberta.



    O Hoku encostou no cais após longos minutos de silêncio. Lana molhava os pés na água, olhando para o horizonte tranquilo da Colina do Riacho. Tudo na mais perfeita normalidade.

  Não estou te acusando, mas essas histórias mexem com a cabeça. Você pode ter sonhado...

  Eu sei o que vi, pai!
  Lana elevou a voz e se virou para ele, de punhos cerrados. Mareanie se encolheu no meio. — Não vou desistir de investigar isso!

    Lana deu passos firmes, puxando seu rádio e recolhendo seu anzol, começando a juntar as coisas. Seu pai olhou para o horizonte com alguma apreensão, e suspirou.

  Hina também via coisas que ninguém mais acreditava  ele disse, e Lana estava de costas.  Minha avó dizia que Oceano testa os corajosos. Joga um mistério na frente deles, tipo um anzol, pra ver se puxam a verdade. Continue em frente, Lana, mesmo que as águas te testem.

    Respirando fundo, Lana se virou para o pai. Ele acenou e ela retribuiu, então puxou sua bolsa e seguiu seu caminho com Mareanie.



  Nyaaah!

    Na floresta escura, um Pokemon gatinho verde acordava, bocejando num miado alto. Ele olhou para os dois lados, percebendo que estava mais alto do que o normal, até olhar para cima e ver o rosto adormecido de uma garota.

  Uh...?
  Ela abriu os olhos assim que ele saltou de seu colo, arrepiando os pelos e rosnando para ela.  Você acordou!

  Grrrrnyah...  O pequeno continuou rosnando, até sentir que suas patas estavam fracas, tombando na grama. — Nyah nyah?

    A menina se ajoelhou perto dele, que viu suas patas da frente enfaixadas com folhas. Ela o deu um sorriso amigável, e ele não relutou ao ser pego no colo novamente.

  Você me salvou naquela hora, mas ainda foi atingido... Não podia te deixar lá. Improvisei um curativo, espero que não esteja apertado
  disse, e o gatinho encarou a própria pata, mas se deu conta dos joelhos ralados dela.  Ah, isso... Não se preocupe, eu estou bem.

    O gato abaixou, lambendo sua ferida antes de voltar a olhá-la no rosto. Os sons da floresta no fundo criavam uma atmosfera para aquele encontro. Tudo parecia em paz, até não parecer mais.

  Pek pek!!  Um estrondo alto fez os Pikipek voarem das árvores em desespero.

    A menina abraçou o gato em seu colo, ficando em alerta ao ver os Pikipek paralisando no ar. Seus olhos tremeram e ela tropeçou quando a pedra onde estava sentada desapareceu em glitches. 

    Já de noite, Lana caminhava por uma rua asfaltada cheia de casas e muros de pedra. Alguns comerciantes recolhiam seus produtos, como uma Probopass que juntava bijuterias de cristais e conchas.

    No último capítulo do livro "Travessia do Mar", Hina diz que quando você olha para a verdade, ela te olha de volta, e aí não há mais volta. 

    Lana parou de andar quando chegou na calçada de um restaurante num quintal florido, com um letreiro pintado com tinta. Um cheiro gostoso escapava pela chaminé, e a entrada era decorada com uma cortina de véu branco que permitia ver o interior.

    Hina foi uma navegadora que enfrentou monstros e descobriu ilhas, mas sua história não tem um final. Se pararam de contá-la, talvez tenham parado de acreditar nela.

    Limpando o suor da testa, Mallow terminava de esfregar o chão do restaurante. Ela achou ter visto algo do lado de fora, e saiu para ver o que era, não encontrando ninguém e ficando confusa com isso.

    E se pararam de acreditar... de que importa ter descoberto a verdade?

    Lana se sentou num mosteiro, sentindo o vento balançar suas mechas, quando passou a ficar mais agitado. Ela se levantou assustada, e viu Charizard se aproximando. Estranhou Kiawe não estar em suas costas, quando ele aterrissou e ela se aproximou, abrindo o compartimento anexado em suas costas e pegando uma carta "Para Lana." Assim que abriu, estava escrito "Eu acredito em você!".

Continua

Capítulo 1: Quando mergulhei no espaço... (ATRAVÉS DO SONHO - CAP 1 VERSÃO 1)

 

Oi. Eu me chamo Leuri, e eu sou a Campeã de Hoenn. E eu estou viva!


Espera, você acreditou mesmo nisso? Desculpa, foi só uma mentirinha! Meu nome...

É Lana!


Eu sou uma Trial Captain, o que significa que meu trabalho é orientar os aspirantes a Treinadores que se desafiam pelas ilhas desse arquipélago.



 — Alola! Lana, eu derrotei o Wishiwashi! — Wally gritou das costas de um Lapras que o dava carona pelo riacho. Seus cabelos verdes, agora em um mullet, balançavam livremente ao vento, contrastando com o chapéu de praia que usava, um pouco desajeitado na cabeça.

 — Derrotamos, né? — Yuri estava abraçado em sua cintura, sorrindo.


 — Me mostre. — Lana disse, e o garoto sorriu com os dentes ao levantar um cristal azul cintilante. — Hm... É falso, acho que vai ter que repetir a prova.

 — O quê?! — Wally quase caiu do Lapras, perdendo o chapéu na água.


 — Mentirinha!


É, eu amo o meu trabalho aqui na Colina do Riacho! Organizo o Trial há uns 40 anos. O quê? Acreditou nessa? Nossa, você é fácil de enganar! Isso seria impossível, já que não faz muito tempo que fiz dezesseis.


Aquela é a minha mãe, ela pode parecer simpática e adorável, mas adora comentar o peso e a higiene pessoal dos outros. Todos a chamam de Dona Nani.


E essas são minhas irmãs gêmeas, Júlia e Sarah. Você quer um conselho? Não me importo se quer ou não, eu vou dar mesmo assim; aquelas duas farejam sentimentos e são capazes de destruir qualquer coisa com valor sentimental em segundos. Por exemplo, há uns meses destruíram a minha paciência, empatia e fraternidade, que saudades sinto disso tudo...


E tem o meu pai. Não se importem muito com ele, a única herança que ele vai deixar para mim é o seu barco velho com seu nome "Hoku" escrito bem grande na proa.


Por que eu te contei tudo isso? Porque não somos uma família comum... Somos uma família de super vilões, renda-se agora ou prepare-se para lutar! .......... Era mentira de novo, e esse é um lema bem estúpido, eu só queria falar da minha vida!


    
 — Mary, Mary? — perguntou a Mareanie, já fora da água, mastigando o que possivelmente era a isca de Lana.

 — Isso? — Lana levantou o caderno. — Eu ouvi a reportagem sobre a Leuri. Ela gostava de escrever para passar o tempo, então resolvi tentar, mas não levo jeito. Pelo menos ajuda a passar o tempo enquanto não... Woooah!

    Lana parou de falar ao fixar os olhos no ponto onde a isca estava, percebendo que o anzol começava a balançar. Ela se levantou rapidamente e, com um movimento firme, agarrou a vara de pesca. Mantendo a concentração, começou a recolher a linha com certa técnica, sentindo a pressão do peixe aumentar a cada puxada. Mareanie se agarrou em sua perna, tentando ajudar. Com uma expressão determinada, Lana continuou a puxar a linha, movendo a vara para cima e para baixo em um ritmo constante. O Pokemon se esforçava para resistir, mas ela não desistiu — felizmente, ela tinha muita prática com pesca.

 — Com essa força, só pode ser o titã Kyogre! — brincou, olhando para Mareanie, que se assustou e logo começou a rir da cara dela. — É mentirinha!

 — Mary, mary...


    Mantendo o equilíbrio, Lana continuou a puxar a linha. Então, em um movimento decisivo, ela aplicou a força necessária e finalmente levantou o anzol, trazendo o Pokemon à superfície.


 — Alomomola? — reconheceu, vendo a peixe se debater em pânico. — Ei, fique calma!

 — Mary!! — Mareanie tentou se aproximar, mas foi rebatida pelas firmes nadadeiras da Alomomola, rolando para perto do rádio.


 — Já chega, você precisa se controlar — disse Lana, puxando uma Dive Ball e maximizando-a. — Chinchou, use Thunder Wave!


 — Chiiin!! — O peixe elétrico saiu de sua cápsula, já produzindo eletricidade nas antenas. Ele disparou ondas de eletricidade, que cercaram o corpo de Alomomola.

 — Momola?? — A peixe mexia os olhos rapidamente para todos os lados, agora que o restante de seu corpo estava travado.


 — Alomomola, o que foi que te deixou assim? — perguntou Lana, observando a peixe, que continuava movendo os olhos rapidamente, tentando olhar para o riacho e para o rosto dela. — Tem algo... lá dentro?

 — Mary, mary? — Irritada pelo golpe anterior, Mareanie tentou tirar satisfação com Alomomola, mas parou ao ouvir o que estava acontecendo.

 — Você viu algo, Mareanie?

 — Mary... — Mareanie negou com a cabeça, e Lana cruzou os braços.

 — Você é sempre tão dramática, Alomomola... Vou preparar algo para você se acalmar — disse Lana, mostrando uma Pokeball para a peixe. Como não protestou, ela a tocou com a cápsula, que cintilou antes de absorver Alomomola.


    Com um sorriso no rosto, Lana correu com a Pokeball de Alomomola em mãos, deixando para trás o rádio, o caderno e o anzol. Vibrante como o ambiente ao redor, ela corria com leveza, seus pés deslizando sobre a superfície do caminho de pontes de madeira que atravessavam a água cristalina do riacho. Mareanie e Chinchou a acompanhavam, saltando e brincando em torno dela, como se quisessem compartilhar sua empolgação, fazendo com que ela desse passos mais longos, como uma brincadeira para ver se chegaria mais rápido.


    Ao redor dela, a natureza exuberante de Alola florescia em todo seu esplendor, com o sol brilhando no céu azul, refletindo na água cristalina e os Pokemon vivendo em harmonia. Poliwag saltitavam por cima das plantas do rio, enquanto Pikipek voavam ao redor dos galhos das árvores.


    O caminho de Lana a levava até sua aldeia. Já descendo a colina e deixando o rio para trás, ela pisava entre as pedras e a vegetação rasteira. O lugar era rodeado por árvores altas e folhagens vibrantes, de cores intensas. Qualquer um desses cenários poderia estampar um cartão postal de Alola. Avistou um trabalhador que montava num Stoutland, ambos acenaram um para o outro, mas ela continuou a correr seguindo a brisa fresca em seu rosto. Ali, humanos e Pokemon se respeitavam como iguais, ajudando-se mutuamente para viver em comunidade.


    Lana se divertia observando as interações dos Pokemon com as pessoas enquanto se dirigia até sua casinha de madeira e pedras, igual a quase todas as outras da aldeia. Era um lugar simples, mas acolhedor, com vasos de flores pendurados nas janelas e uma varanda convidativa. Ela pisou no primeiro dos três degraus da escada para entrar em casa, ouvindo o som da tábua rangendo.


 — Alola, minha filha! Chegou na hora certa, já estou servindo o almoço — disse sua mãe, que vinha carregando dois pratos com fumaça saindo deles, de tão quentes.


 — Almoço! — As gêmeas apareceram instantaneamente, prontas para bagunçar tudo quando... — Pokemon! — gritaram ao ver Mareanie e Chinchou.
    Os dois Pokemon se abraçaram, temendo que fosse o último momento de suas vidas, quando as gêmeas os agarraram e começaram a puxar suas bochechas.

 — Deixem eles em paz, parem de perturbar — disse Lana em vão, quando sua mãe trouxe o prato dela e finalmente se sentou também.

    Lana já ia começar a comer, quando sua mãe bateu em sua mão, sinalizando com o rosto o que deveria fazer antes. Suspirando, Lana juntou suas mãos, assim como todas na mesa.

 — Agradecemos pela fartura que nos é oferecida por Alola, pela saúde que nos dá boa vida e pela proteção que nos mantém seguros em nossa aldeia — disse sua mãe de olhos fechados, com uma voz firme. — Pedimos suas bênçãos, Vulcão Wela, para que continuemos a ser agraciados com a sua generosidade... Mas não apenas nós. Pedimos que não falte comida para nenhum habitante dessas terras, seja humano ou Pokemon. Que a vossa vontade seja feita.

    Lana e suas irmãs escutaram a oração em silêncio, sentindo a sinceridade das palavras de sua mãe. Rezar para o grandioso Vulcão Wela era uma tradição que a família seguia antes das refeições, mas, dessa vez, Lana estava com pressa. Ela começou a comer rápido, bebendo seu suco inteiro de uma vez. As gêmeas e sua mãe a olharam confusas até ela perceber que estava com uma folha de alface inteira na boca.

  Você está... nervosa?  As gêmeas perguntaram juntas de um jeito assustador para Lana.


 — Não! Eu só quero terminar logo, Alomomola teve uma crise hoje e prometi que iria preparar algo para ajudá-la.

 — Você é igualzinha ao seu pai... Apressaaada! — disse sua mãe, rindo, enquanto Lana já se levantava para levar o prato até a pia.

    Lana estava determinada a preparar uma mistura de ervas e frutas que ajudaria a acalmar a peixe. Pegou uma tigela de cerâmica e começou a misturar uma porção de berries. Os Pokemon que já haviam comido vieram observar curiosos. Mareanie subiu em Chinchou até conseguir enxergar Lana adicionando folhas de hortelã, e o aroma suave logo a fazia se sentir mais calma, tão calma que acabou caindo sobre o outro aquático.
    Enquanto as frutas maceravam na tigela, Lana aqueceu uma panela com água. Começou a procurar em potes por outras folhas, até sentir alguém cutucando seu ombro.

 — Procurando por folhas secas de camomila? — perguntou sua mãe, entregando o pote para Lana, que não respondeu. Sua mãe sorriu ao ver a filha adicionar as ervas à água quente. — Você está fazendo isso tão bem, tem praticado?

 — Eu aprendi algumas coisas com a... Enfim, mãe, não me perturbe, tá? — Lana passou a coar a água com as ervas, e sua mãe levantou as mãos, saindo da cozinha.


    Adicionando as frutas maceradas, Lana suspirou com um pensamento. Misturou tudo delicadamente até que a mistura ganhasse uma cor vibrante de vermelho e rosa, com um aroma agradável. Ela pegou a tigela com a mistura pronta e foi até a varanda da casa, onde liberou Alomomola em um caixote com água.


 — Maaary! — Alomomola tentou provar a receita, mas Lana tirou a tigela antes que isso acontecesse.

 — Aqui, pode provar — disse, vendo a peixe boiar na água ainda paralisada, com os olhos rolando rapidamente em desespero.

    Percebendo que Alomomola não se acalmaria para tomar, Lana levantou suavemente a cabeça da Pokemon e despejou a tigela em sua boca. A peixe, que parecia hesitante, se animou com o aroma e começou a lamber a mistura desajeitadamente. Após alguns minutos, a respiração da Pokemon começou a se acalmar e seus movimentos lentos começaram a ficar mais ágeis.

 — Ótimo... — Lana riu, quando Alomomola pediu mais. — Pode ficar aqui por hoje, se quiser. Não sei o que aconteceu, mas estamos com você!

 — Mooomoola... — A peixe baixou sua barbatana, concordando com a cabeça.


    Os ponteiros do relógio de Pikipek da casa iam girando rapidamente conforme as horas passavam, os habitantes da aldeia iam passando de um lado para outro e, quando olhavam para a varanda, viam Lana, Mareanie e Chinchou indo e vindo de dentro da casa, sempre trazendo objetos diferentes. Lana conseguiu usar pregadores da sua mãe para pendurar uma toalha com estampas de Ducklett em três poses diferentes em cima do caixote onde Alomomola estava. A peixe olhava impressionada para aquilo, e ficou ainda mais quando Mareanie veio trazendo bonecas de pano em seus tentáculos, uma loira com um vestido preto e a outra com cabelos pretos curtos e roupas brancas.


    A peixe ainda estava apreensiva, mas foi se tranquilizando assistindo um teatro de bonecas que Chinchou e Mareanie faziam. Lana repousou uma mão na barbatana da cabeça dela e as duas se encontraram no olhar, sorrindo.


    Já havia anoitecido e Chinchou agora iluminava a varanda com suas lanternas. Lana bocejou, mas Alomomola fez um splash na água e molhou o rosto dela. Imediatamente, uma guerrinha de água começou. A mãe da garota observava recostada na porta de casa, afastando uma mecha de cabelo do rosto, quando as gêmeas passaram correndo por baixo de seu vestido, implorando para Lana deixá-las participarem do acampamento improvisado na varanda.


 — Trouxemos até nossas almofadas! — Júlia levantou uma que lembrava o rosto de um Shellder, enquanto sua irmã segurava a que parecia um Sobble.

 — Não mesmo, vocês não têm mais o que fazer não? Mãããe!!

 — Tudo bem, meninas, venham para dentro que vou preparar um doce para vocês! — respondeu Nani.

 — DOCE! — As duas pareceram se transformar ao ouvirem a palavra e imediatamente desapareceram dali.


    Revirando os olhos impaciente, Lana se aconchegou em um travesseiro ao lado do caixote de Alomomola, que, depois de algum tempo, adormeceu tranquilamente. Mareanie e Chinchou também haviam esgotado as energias e dormiram um em cima do outro. Silenciosa, ela olhou para o céu estrelado, com a lua cheia brilhando intensamente entre elas. O som familiar do chirriar dos Rowlet preencheu seus ouvidos, tão reconfortante que nem conseguiria dormir sem ele. Alguns Cutiefly dançavam em círculo ao redor de uma lanterna na casa vizinha, acrescentando ainda mais à beleza da noite de Alola.


 — Lana? Alola! — De repente, uma voz chamou. Ela nem havia percebido que havia um Charizard pairando sobre a lua, mas a voz não era do Pokemon, e sim de quem estava montado nele.

 — Kiawe, Alola! Desculpa, estava viajando — disse Lana ao ver o menino saltando das costas do dragão que aterrissou sem fazer barulho.



 — Viajando? — Ele perguntou. — Mas ontem mesmo eu te vi aqui.

 — Não, eu quis dizer que meus pensamentos estavam longe daqui — explicou, e agora ele pareceu entender.

    Kiawe havia crescido junto com Lana em Akala e também era um Trial Captain, realizando sua prova na área da Reserva Natural do Vulcão Wela. Era um garoto dedicado e muito expressivo, com sua pele negra brilhante por sempre estar suando carregando os pesados latões de leite que a Fazenda de sua família vendia para todas as ilhas. Por conta desse trabalho, também tinha um corpo forte e definido, sempre em exibição já que não costumava usar camisas, apenas um colar com contas e um pálio caindo por cima dos ombros.

 — Essa é a última entrega da minha rota... Vou deixar na porta da sua casa — disse Kiawe, retirando um latão de dentro de um cinto com compartimento que Charizard usava. Ele o pegou com um só braço, o colocando por cima do ombro, então o deixou na porta. Em seguida, enxugou o suor da testa. — Você quer falar sobre... para onde estava viajando?


 — Só estava olhando para a lua. Às vezes penso em como Alola é perfeita... Como um sonho mágico que você não quer deixar escapar, então se esforça para não acordar.


 — Mallow me disse algo parecido hoje quando passei no restaurante — comentou Kiawe, fazendo Lana corar por saber disso.


 — Sim, a Mallow... — respondeu Lana um pouco tímida. — Mas ei, Kiawe, minhas irmãs estão doentes e preciso cuidar delas, eu já vou entrar, tá bom?

 — Tá certo. Se quiser ajuda com alguma coisa, telefona e...

 — Tá, tá, muito obrigada, um beijo! — Ela foi o empurrando de volta para as costas de Charizard.

    Quando o dragão já desaparecia no céu carregando Kiawe, Lana voltou para a varanda. Adormeceu olhando para as estrelas.


    O sol brilhava intenso no céu na manhã seguinte, e Lana caminhava com Mareanie de volta para a Colina do Riacho. Ela fez todo o seu caminho até a área que gostava de ficar, apressando o passo ao ver o rádio e o caderno no mesmo lugar.

Voltamos ao vivo do Grande Festival de Sinnoh, o Coordenador Brendan concluiu sua performance e está recebendo uma chuva de aplausos!

 — O quê? — Lana levantou uma sobrancelha ao ouvir o rádio tocando. Tinha certeza de que o desligou no dia anterior, mas talvez algum Pokemon travesso tenha mexido. Então, o desligou de novo. — Bem! Alomomola, é hora de voltar para a sua casa!

    Lana observou a peixe deixar a cápsula e voltar a mergulhar na água, mas imediatamente ela se jogou na terra, começando a se debater. Lana a fez voltar para a água, ainda sem entender por que estava tão assustada.


    Seguindo com suas obrigações como Trial Captain, ela montou num dos Lapras que viviam ali e pediu para que a levasse até onde vivia o Totem Wishiwashi, o poderoso e enorme Pokemon formado por vários peixes pequenos que os desafiantes enfrentavam por um Z-Crystal. Ela deveria alimentá-lo, mas não o encontrava em lugar nenhum. Tentou pescá-lo com sua comida, mas quando um dos peixinhos mordeu a isca, não relutou à pesca e ficou estático, como se estivesse travado. Olhou para a água e notou que os outros Pokemon não estavam indo para o mesmo lugar onde pescou o Wishiwashi.

 — Tão estranho... Mas Alomomola não é a única. Precisamos verificar se tem algo acontecendo por baixo do rio — disse para Mareanie, que engoliu em seco.


    Desamarrando a calça e retirando o top, Lana ficou apenas com o maiô que sempre vestia por baixo das roupas. Mareanie já estava na água, então ela prendeu a respiração e mergulhou.


    Enquanto avançava, podia ver os Pokemon passando por baixo dela, como se estivessem em um túnel subaquático. O Wishiwashi de antes voltou a se mover e chamou sua atenção para um caminho, mas quando chegou mais perto do ponto para o qual ele estava indo, notou que algo estava errado.


    Havia uma parte do rio que estava completamente vazia de Pokemon, de água ou de qualquer coisa. Simplesmente não fazia sentido, como se todo o rio estivesse sustentado por uma força invisível. Um calafrio correu por sua espinha. Nadou com cautela na direção daquela falha, mas começou a acelerar involuntariamente. Mareanie tentou freá-la, mas não tinha como, era forte demais.


    Seus músculos se contraíram enquanto tentava voltar, mas era inútil. Seu corpo alcançou o espaço vazio e o atravessou. De repente, não sentia mais o movimento da água, nem ouvia som algum. Era como se estivesse flutuando no espaço sideral, com o cenário escuro e algumas partículas flutuando ao seu redor. O pânico com o sufocamento se aproximando tomou conta dela enquanto tentava desesperadamente encontrar alguma forma de escapar, mas, por mais que mexesse os braços e as pernas tentando nadar, não saía do lugar.


    Uma alga marinha foi estendida para dentro do vazio, e Lana voltou à realidade, agarrando nela como uma corda, sua única esperança de sobrevivência. Mareanie gritava para que Alomomola, alguns Wishiwashi, Bruxish e Poliwag a puxassem do jeito mais rápido que conseguiam. Logo, ela voltou a sentir a água, mas ainda sufocava. Precisava sair dali o mais rápido possível. Os Pokemon a arrastaram para a superfície, e ela recuperou o fôlego, tossindo e cuspindo água, enquanto ainda era ajudada a voltar para a margem do rio.

Desde que La Primera comprou a Fundação Aether e Geeta assumiu a propriedade de todo o espaço de resgate, proteção e estudo de Pokemon, ela tem estado ocupada com pesquisas que em breve espera poder compartilhar com todos...


    Ainda ofegante e com o rosto vermelho, Lana ouviu o rádio funcionando novamente. Tentou desligá-lo, mas ele continuou falando. Então, se afastou empurrando o corpo para trás. Quando suas mãos encostaram na água, soltou um grito apavorado e se levantou. Estava aterrorizada. Olhou para trás, para a direção daquele vazio por baixo da água, e então...

Alola... Corre perigo!


    Numa transmissão de vídeo chamada com todos os outros Trial Captains e Kahunas de Alola, Lana era a única com o microfone aberto, transmitindo o pavor em sua voz.

 — Isso que eu vi não pode ter sido qualquer coisa! — gritou para o tablet em suas mãos. — E se tiver algo a ver com aquele monstro que aterrorizou Galar? Nós precisamos investigar!

    Um senhor de cabelos grisalhos e pele da cor de caramelo começou a falar, mas seu microfone estava mutado, portanto sua voz não saía. Seu nome estava como "Kahuna Hala". O mesmo acontecia com vários outros, deixando Sophocles, um menino ruivo com o rosto redondo cheio de sardas, impaciente.


 — Eu mandei um manual de instruções junto de cada tablet para todos vocês, como ainda não sabem usar?!


 — Essas modernidades são muito esquisitas, como vocês podem estar aí dentro? — Kiawe abriu a boca para a câmera do tablet, verificando seus dentes.


 — Ainda estamos te vendo, Kiawe... — resmungou Sophocles.


 — Pronto, consegui som! — exclamou a bela Olivia, a imponente Kahuna de Akala. — Lana, o que você disse não tem nenhum precedente, e não seria a primeira vez que estaria usando esse canal para mais alguma de suas brincadeiras...


 — Mentiras — corrigiu o senhor Nanu, o Kahuna de Ula'ula.

 — Enfim... O que realmente aconteceu? Pregou uma peça em algum Pokemon e ele te atacou?


 — Não, eu estou falando a verdade! Era como se eu estivesse flutuando no espaço!


 — Já li um livro assim — comentou Acerola, com seu áudio quase sussurrado como num ASMR.

    Hala continuava falando e gesticulando, mas ainda mutado.

 — Lana, nós temos trabalho a fazer... Por favor, deveria estar fazendo o seu também — disse Olivia, antes de se desconectar.

    Logo depois, quase todos os outros fizeram o mesmo enquanto Lana tentava pedir para que a dessem atenção. Apenas Kiawe e Mallow restaram, mas a imagem dela não estava sendo transmitida, apenas seu microfone agora aberto.


 — Eu tenho que fazer uma entrega, preciso ir — disse Kiawe, também se desconectando.

 — Não!! — Tentou protestar, mas ele já havia saído da chamada. — Mallow... Você acredita em mim?

    Aguardando a resposta da menina, Lana encarou o ícone do microfone aberto, que então ficou vermelho, indicando que ela havia interrompido seu áudio. Logo depois, desconectou, deixando Lana sozinha. Ela encarou sua própria imagem na tela do tablet, então o abaixou, incrédula.

 — Mary! — Arrastando o caderno até Lana, Mareanie assentiu para ela.


 — Todos podem ter duvidado de mim... — disse para a Pokemon, abrindo o caderno e vendo suas anotações de ontem. — Mas eu vou investigar o que está acontecendo.

    Puxando uma pena de um Pikipek que passou voando, Lana a raspou num espinho de Mareanie, conseguindo tinta com seu veneno. Começou a escrever, caminhando com sua Pokemon...

Alola é perfeita... Como um sonho mágico que você não quer deixar escapar, então se esforça para não acordar..
Ou seria...


    Quando Kiawe terminava de ajustar o cinto em Charizard, um clarão surgiu por trás dele. Confuso, ele caminhou pela área de sua fazenda até encontrar seus pais olhando para uma grande fenda ao longe no céu, uma abertura circular e pulsante em tons de roxo e rosa, que se mesclavam com o azul natural.


 — É como o daquela noite... — disse sua mãe, Pepa, sendo abraçada pelo marido. — O que pode ser isso? Nos proteja, Wela, nos proteja!

 — Eu posso ir até lá — disse Kiawe, mas seu pai segurou seu ombro com tanta força que o fez entender que aquilo era um "não", mesmo sem precisar de palavras.

    Mais próximo de onde a fenda se abriu, as formas das belas árvores se distorciam como se suas imagens estivessem com glitches. Alguns Pikipek pararam de voar, ficando estáticos por alguns segundos, até mudarem seu rumo, voando na direção contrária em confusão.


    Na margem do rio onde Lana costumava pescar, seu rádio continuava falando em meio aos glitches...

Geeta afirma que sua solução está em desenvolvimento avançado.

Continua