terça-feira, 29 de novembro de 2022

Capítulo 2: Meu mestre é um cachorro gordo.

    Sem conseguir reparar muito no caminho que estava indo, Mike continuava beliscando-se na tentativa de acordar do sonho. Meloetta flutuava a sua frente e as notas musicais moviam-se em seu cabelo como se uma partitura estivesse sendo escrita constantemente. Reparava nos Pokemon do parque o encarando com curiosidade.



  Serene Village.  Mike leu a indicação de direção numa placa de madeira. Meloetta assentiu com a cabeça e apontou para um portão em forma de aro, coberto por plantas trepadeiras e flores coloridas.  Não demorou muito...

  Quase todos que você conheceu no parque moram aqui, assim como a Anciã e eu.  Meloetta flutuou até o portão, fazendo as flores dançarem com ela.  Não é muito grande como no passado, mas vivemos bem!

  Ah... E vocês todos fazem magia? Tipo, pew pew... pow!  Ele balançou os dedos para insinuar magia, o que Meloetta não entendeu muito bem. — Quer dizer... Sabe, todos têm poderes?

  É claro! Todos os Pokemon têm. Estamos a caminho da tenda do Mestre Stoutland, você vai entender melhor quando chegarmos lá.

    Passando pelo portão, Mike viu casas coloridas rodeadas por grama, caminhos de pedrinhas bem delimitados e outros Pokemon circulando, mas sempre reparando nele. Meloetta desceu ao chão quando viu uma chinchila cinza de olhos brilhantes correndo em sua direção.


  Meloetta, você voltou! Espera, esse é o Escolhido?

 — É sim, e ele se chama Humano Estudante Mike! 


 — Na verdade, é só Mike...

  — Huh? Você fala? Pensei que humanos não falassem!

  E eu pensava o mesmo de chinchilas...

  Quem é essa chinchila? Posso lutar com ela?

 — Oh, vocês não foram apresentados direito! Humano Estudante Mike, esse aqui é o Minccino, meu melhor amigo. Nós vivemos juntos naquela casa ali. — Meloetta aponta para uma casa verde próxima do portão do vilarejo.


 — É um prazer.  Minccino fez uma reverência e estendeu a cauda felpuda para Mike apertar.

  Igualmente, eu acho...  Ele segurou na cauda de Minccino, sentindo a maciez.  Ui, que macio!

  Gostou? Eu cuido muito bem dos meus pelos, uso óleo de Basculin.

  Não faço ideia do que esteja falando...

  Hum... Meloetta, esse humano parece aflito, qual é o problema dele? Será que está com fome?

  Não sei, ele parece estar numa crise existencial
  disse, apontando para Mike, que continuava se beliscando.  Ele acha que está sonhando.

  Ah, acha?
  Minccino arrepiou seus pelos, começando a produzir faíscas. Mike o olhou assustado, não sabendo o que aquilo significa.


    Movendo os pés muito rápido como se corresse sem sair do lugar, Minccino começa a disparar raios elétricos contra Mike.


  AAAAH!  Ele acelera numa corrida para se esquivar, até um atingi-lo no sapato, o fazendo cair de bruços na grama.  P-Pare!!


  Vamos, lute comigo! Duvido que sonharia com alguém tão forte!  Agora Minccino salta para a frente de Mike, com a cauda brilhando e tentando o golpear.


  Já estão fazendo amizade, isso é bom!! Vai humano, mostre seus poderes!!  Meloetta comemorava, rodopiando.

    Quando Minccino iria golpear o rosto de Mike, ele sentiu algo molhado em suas costas e foi erguido, tentando escapar.


  Hm. O que pensa que está fazendo, Minccino?  perguntou um grande e peludo cachorro, soltando Minccino no chão.  Humanos não são como nós, eles não têm poderes. São frágeis, delicados e inofensivos. Você poderia ter acabado com ele que não conseguiria reagir!


  Não sei se agradeço ou me ofendo...

  Como assim? Humanos são só sacos de pancadas? Qual é a graça de lutar com eles?
  perguntou Minccino, cruzando os bracinhos.

 — Nenhuma. Mas Meloetta, você demorou... Aconteceu algo?

 — Mestre Stoutland, me perdoe! A vila dos humanos é muito grande e demorei para sentir algo de especial em algum deles  disse, juntando as mãos. O cachorro a encarou e se voltou para Mike.

  Espera, esse é o Mestre?  Mike segurou o riso, mas não se conteve, até lacrimejando.  Um cachorrão gordo que nunca foi ao pet shop?

  Hmmmm... Se eu fosse você, não ficaria rindo. Posso matá-lo em poucos segundos  disse, e Mike se calou na hora.  Mas é importante saber que humanos não habitam esse mundo. Você foi trazido para cá porque precisamos da sua ajuda.

  É isso que não estou entendendo. O que eu preciso fazer?

  Hm. Você é o humano Escolhido, a profecia é clara. Você decidirá o destino do nosso mundo durante o conflito entre Verdade e Ideal.



  Isso continua não me dizendo nada!

  Significa que de algum jeito você pode nos salvar!
  Meloetta segurou nas mãos de Mike, sorrindo pra ele.

  Hm. Preste atenção, dentro do meu conhecimento sobre esse mundo, vou te contar um pouco da história. Existem muitos Deuses Pokemon, cada um deles cuida de uma parte de nossa realidade. O céu, o mar, a terra, o espaço, o tempo... E até as flores, como no Parque Gracidea. Nossa Anciã teve uma visão do futuro, mostrando um humano enfrentando a fúria de dois deles... Esse é o humano Escolhido, que nos salvará do perigo!

  Como posso ter sido escolhido para algo que nem sabia que existia? No meu mundo, ninguém conhece os Pokemon! Não sei nem como vocês conseguiram ir para lá... Aquele portal...


  Nem sempre precisamos responder todas as perguntas, Humano Estudante Mike. Algumas vezes só precisamos viver — responde Minccino, usando seu rabo para limpar uma Berry. Em seguida, a morde.

 — Falou como um verdadeiro aprendiz meu, Minccino. — Stoutland comenta, orgulhoso.  Hm. Eventualmente, as respostas que procura virão. Por agora, preocupe-se em se fortalecer para o futuro. 

  Olha... Desculpa, mas não. — Stoutland, que já havia virado de costas, para de andar e olha de canto para Mike.  Vocês não me convenceram de nada! Pra mim, ainda estou sonhando.

  Hm. Quer ser convencido? Muito bem.


    Stoutland abriu a boca e suas presas se estenderam em labaredas. Ele salta para cima de Mike, que consegue desviar, colocando a mão no coração, muito acelerado. Meloetta e Minccino pensam em interferir, mas não iriam, o Mestre sempre sabe o que faz.

  Se não quer acreditar em nosso pedido de ajuda, vá embora!  Ele volta a investir em Mike.


    Recebendo uma cabeçada na barriga, Mike cai sentado, achando que seria seu fim. Mas Stoutland lacrimeja e se vira de costas, correndo para sua tenda.

  Você está bem?  Meloetta flutuou até ele, que mantinha a boca levemente aberta. Havia mordido o lábio inferior quando caiu e agora estava machucado.  Talvez tenha outro jeito de proteger esse mundo... 

  Ou outro humano
  sugeriu Minccino.

  Mas eu senti que esse era perfeito! Sem amigos, triste em casa, sem motivações
  disse Meloetta, enquanto Mike encarava a grama.  Poderia... Ser bom pra ele, também.

  Você não está errada...
  Ele se levanta, ainda sentindo dor.  Eu... Preciso de um tempo.


  Nós podemos ficar com você e...

  Não, por favor. Obrigado, Meloetta e Minccino.
  Ele se afasta dos dois, que trocam olhares entristecidos.

    Caminhando pela vila, Mike tenta usar seu celular, mas não tinha sinal de internet ali. Frustrado, ele o guarda, mas escuta uma voz fanhosa. 


 — Você acha que pode pisar nas minhas mercadorias, é?! — Mike percebeu estar pisando numa prancha de surf. Ele rapidamente tirou o pé e viu uma placa de madeira na frente de um Pokemon, dizendo que eram as pranchas do Golduck.

 — Desculpe, não tinha visto!

 — Tudo bem, não guardo rancor. Mas, vamos lá, com certeza você está impressionado, certo? Está pirando só de observar essa prancha, não é?

 — Huh?

 — Vamos lá, eu sei que você quer comprar! Está baratinha, apenas 100 Pokecoins!


 — Eu não tenho essas Pokecoins e nem sei surfar... — antes que Mike pudesse continuar falando, Golduck o interrompe.

 — Eu fui com a sua cara, posso fazer um outro desconto especial! 80 Pokecoins!

 — Não tenho isso...


 — 50 Pokecoins!

 — Golduck, eu já disse que...


 — Eu te dou! Pode ficar com ela! Apenas leve! — Golduck arremessa várias pranchas na direção de Mike, que corre para longe. — Não fuja!! Eu não tenho clientes faz muito tempo!! Talvez porque não tenha onde surfar por perto, mas... Hey, onde você foi, humano?


  Que maluco... Esses Pokemon são todos esquisitos!  Ele se escondeu atrás de uma pilha de frutas, percebendo que haviam outros Pokemon o olhando.


  Olá, humano! Bem vindo! Sou o Kecleon, seu vendedor preferido.  disse um Pokemon semelhante a um camaleão, com uma listra vermelha na barriga.  Me conte, do que precisa? Tenho de tudo e o que eu não tiver, eu arranjo pra você!

  Na verdade, eu não...

  Oh, um cliente difícil! Muito bem, muito bem. Eu vou sugerir algo. O que acha dessa coroa de pedra? Você vai se sentir um verdadeiro rei!


  Pruu! Eu quero ser uma rainha!  Um Pokemon pombo saltita até a loja de Kecleon, enquanto Mike se afasta, mas esbarra em um gato.


  Nyah! O-Olá, humano!

  O-Oi... E tchau!

  Espera, não vá embora! Tenho muitos produtos pra oferecer!  gritou Kecleon, levantando maçãs.

  E pranchas!!
  Golduck encontrou Mike, que se sentiu encurralado. O gato que ele esbarrou segurou em sua mão e o levou numa corrida.

    Os dois chegaram até a casa mais simples da vida, toda pintada de amarelo. Por dentro, poucos móveis de madeira e amontoados de palha.

  Myah, pronto, aqui não vão te incomodar.  Ele fecha a cortina da janela.  Desculpe a simplicidade, nyah! Quer beber algo?


  Na verdade, quero sim. Se tiver um cafézinho...

  Nyah? O que é cafézinho?

  Esqueça, claro que vocês não tem isso aqui... Arhhh que pesadelo!
  Ele cai o rosto nas mãos, respirando fundo.


  Deve estar sendo difícil, mudar completamente de cenário e tão rápido... Fique o tempo que precisar, nyah.  Ele se aproxima de Mike, receoso de encostar nele, mas dá dois tapinhas em seu joelho.  Nyah, não tem pelos...

  Não ainda...
  Ele riu, mas sentou-se na palha. — Pokemon... Vocês vivem em uma comunidade esquisita, mas parecem felizes. O cachorro gor... O Stoutland disse que o mundo de vocês corre perigo e que eu vou ajudar a salvá-lo... 

  Nyah, isso é mesmo sério e parece ser pedir demais, mas você não estará sozinho aqui. Os Pokemon podem...

  Esse é o problema! Eu estou sempre sozinho, entendeu? Agora aparecem e me dizem que precisam de mim, que sou especial e sei lá o que mais! A Meloetta está certa, minha vida não tem nenhum propósito... Eu deveria encarar isso como uma segunda chance? 

    Sendo interrompido, Mike ouve a melodia das cordas de um violão. Ele olha para o gato, que senta-se ao seu lado, segurando o instrumento.


  Deixe a música tocar seu coração... E siga o som que ecoar.

    Abaixando o boné para cobrir os olhos, Mike continua escutando a melodia, de cabeça baixa. Uma lágrima cai no amontado de palha.



    De noite, Mike voltava ao Parque Gracidea, agora vazio. Ele refaz os passos que deu com Meloetta, até um portal azulado abrir-se em sua frente. Com o olhar caído, ele aproxima sua mão do fluxo, mas recua.


  Eu posso voltar... Por que eu não quero?  perguntou-se, com a mão abafando a voz. Ele ficou assim por algum tempo, até sentir algo quente e macio roçar em sua pele.


  Hm. Humano...  Era Stoutland. Mike não o olhou, continuando a focar no fluxo.  Fui duro demais com você, me desculpe. Estava desesperado por uma solução para o futuro... 

  Isso não é bom?
  perguntou, enxugando o rosto e sorrindo, olhando para frente.  Você tem um futuro a zelar... Para todos esses Pokemon que moram na vila. 

  Eles são tudo o que tenho... Minha família. Alguns são inocentes demais, precisam da minha proteção. Só temos uns aos outros por aqui. Mas eu entendo se precisar ir embora.


  Se eu for embora, o que vai fazer?  Agora ele olhou para o cachorro, que pensou antes de responder.

  Hm. Talvez Meloetta tenha pego o humano errado e agora consiga achar o certo... Ou então vamos continuar juntos até o fim e enfrentar o que tiver que acontecer.

  Eu vou ficar. Não acho que tenha alguém lá fora preocupado comigo agora... Nem mesmo a Bianca depois do que aconteceu. Vou entender tudo com o tempo e se eu puder ajudá-los, farei o meu melhor. 


  Hm... Eu não acho que Meloetta tenha trazido o humano errado.

    Os dois continuam admirando o fluxo azulado diante de Mike, que se levanta. Ele aproxima sua mão e o portal desaparece, tornando-se centelhas azuis que somem no ar.


Mike: Obrigado... Mestre Stoutland!

Continua

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Capitulo 1: Eu sigo um bicho estranho.


    As flores brancas balançavam ao vento, deixando que algumas pétalas fossem levadas por ele. Pássaros voavam tranquilos, não haviam humanos ali. Os coelhos saltitavam alegremente. Um verdadeiro jardim natural, nunca tocado pelo homem. Mas isso estava prestes a mudar.

Pant Pant Pant

    Um garoto corria desajeitado, como se não andasse há muito tempo. Ele tinha os olhos avermelhados e os cabelos pretos espetados até o fim do pescoço. Tropeçando num graveto, caiu na grama e rolou colina abaixo, parando em cima de algumas flores. Quando abriu seus olhos, viu uma criatura diferente de tudo que conhecia voar por cima das flores sem o notar. Ele levantou e a assistiu afastando no ar, indo na direção de uma cidade ao longe.


    Sem pensar muito, virou-se para a direção que a criatura veio, observando uma árvore com o que parecia ser um holograma azul em movimento na frente do extenso tronco. Ele aproximou-se, encostando e então... Foi sugado para dentro do fluxo azulado. Aquilo definitivamente não era um holograma.


    POKÉMON
THE MYTHICAL WORLD

Capitulo 1: Eu sigo um bicho estranho.


Professor: Hm. Classe, está na hora da aula de genética. — Quase toda a turma lamentou com a notícia do professor bigodudo. — Vocês já estão grandinhos, mas vou deixar que façam dupla nessa aula. — Agora comemoraram.

    Essa é a Turma E da décima série da Academia Roxy, bem popular em Coney Island, Brooklyn, distrito de New York. Os alunos juntavam suas mesas e cadeiras para formarem duplas e assistirem a aula do Professor Stout.


 — Não entendo porque odeiam tanto genética. É tão divertido! — disse uma menina sorridente de óculos enquanto puxava sua mesa para perto de um garoto. Tinha os cabelos curtos e loiros, escondidos em cima por uma boina verde.


 — Se eu acertar o olho do Gothel com esse aviãozinho grudado com chiclete velho que achei debaixo da mesa, que tipo de mutação genética vai acontecer? — O menino tinha os uniformes amassados e abertos, com os cabelos castanhos desarrumados. Ele mirava seu aviãozinho num garoto gótico no outro canto da sala.

 — A mutação será você levando uma suspensão. Se aquieta, Mike! — Ela pegou o avião da mão dele, que revirou os olhos. Os dois eram a dupla mais afastada do professor.

    Esses são Mike e Bianca, dois amigos inseparáveis dentro e fora da escola. Mike não conversa muito com as outras pessoas, todos o acham esquisito, por isso senta-se no fundo da sala. Bem, pelo menos ele tem sua amiga.

 — Presta atenção, eu tenho uma novidade! Vai ter um desfile da Elesa no Luna Park nessa noite e eu estava pensando em chamar minhas amigas... E você, óbvio!
 — sugeriu Bianca, rosando as bochechas como de costume.

 — Essa noite? Vou falar com os meus pais, mas certeza que vou. Vai ser bom conhecer suas amigas.


PLIN PLIN PLIN PLIN

    A aula passou beeeem lentamente e quando o sinal tocou, todos comemoraram que estavam dispensados por hoje. Mike e Bianca despediram-se, mantendo o combinado de encontrarem-se de noite no Parque de Diversões. Agora iriam para suas casas almoçarem.


 — Finalmente sem uniforme! — exclamou Mike, saindo do vestiário masculino da escola, agora com roupas mais casuais.


 — Mas você gosta de falar sozinho mesmo, né? Na aula, na rua... Vai procurar ajuda, moleque estranho! — Provocou Gothel, debruçado na parede ao lado de fora do vestiário. Mike segurou firme na alça de sua mochila e pensou em responder, mas Gothel sempre andava acompanhado, não queria uma briga hoje. Ele apenas apressou o passo e deixou a escola pelo portão principal.


    Enquanto esperava a sinalização para os carros pararem de se moverem e enfim atravessar a rua, Mike reparou nos galhos de uma alta árvore que estavam balançando, desprendendo algumas folhas secas de outono. Pensou ser algum pássaro, não dando muita importância, e seguiu seu caminho.


    Não demorou muito para que chegasse em seu prédio, o mais antigo da rua, onde só moravam velhinhos. O antigo elevador assustava, mas funcionava bem, e Mike apertou o botão para subir ao décimo primeiro andar, o último do prédio. Antes de girar a chave na porta, ouviu uma discussão. Mordeu o lábio inferior e abriu, entrando de cabeça baixa.


 — Você quer saber de uma coisa, Grimsley? Eu vou trabalhar, e trabalhar muito para compensar o estrago que você fez! — Furiosa, a mãe nem cumprimentou Mike, que passou direto em direção ao quarto.


 — Karen, Karen... Me dê mais uma chance. Estou falando, vou ganhar muito dinheiro nas apostas de hoje. Só preciso que me dê algum valor para eu...

 — Eu quero é ficar longe de vocês. Atrasos de vida... — Ela interrompeu o pai de Mike, batendo a porta. Mike ouviu seu pai suspirar.

 — Estou descendo também, Mike. Faz algo para comer. — Mike ouviu a voz dele e em seguida a porta abrir e fechar.

    Desanimado, Mike retirou o boné vermelho que usava e se jogou de costas na cama, pegando o celular e abrindo o Twitter para reclamar de sua vida. Ele sente um calafrio e direciona o olhar para a janela, percebendo que estava aberta, mas nunca deixa a janela aberta...

"O chefe das pesquisas sobre formas desconhecidas de vida, Doutor Colress, afirma ter feito a descoberta de um ser melodioso e mágico. Ele..."

 — Chaaaato! — exclamou Mike, que fritava um ovo na cozinha. Seus pais deixaram a televisão ligada no canal de notícias.

    Quando o menino ia levar seu prato para a mesa da sala e comer o que preparou, deparou-se com sapatos, roupas. adornos e outros objetos espalhados pelo chão. Ele arregalou os olhos, será que havia algum animal ali dentro?
    Mike arrumou a bagunça e procurou o possível animal pela casa, não o encontrando. Então pensou que seus pais podiam ter arremessado os objetos um no outro durante a briga e ele não havia percebido até então. O resto de sua tarde envolveu passar horas no TikTok e fazer lição de casa, tirando dúvidas de todas as questões com Bianca. Seus pais não atendiam ligações e provavelmente não voltariam tão cedo, então foi se arrumar para o evento no parque, mas quando estava colocando o boné de frente para o espelho, sentiu ter visto um vulto correndo para debaixo de sua cama.

 — Ok, é só não pensar nisso que logo se esquece... — Ele repetiu para si mesmo, quando ouviu o barulho da cama sendo arrastada. Engoliu em seco e agarrou numa vassoura que estava encostada no armário.



*Escute isso antes de prosseguir*

    Escutando uma melodia enquanto se aproximava da cama, Mike sentiu-se mais relaxado por um momento. Ele tomou coragem e a levantou com uma só mão, mas quase caiu para trás quando viu...


 — UM RATO! — Ele gritou, acordando o suposto rato, que logo desvia de uma vassourada. — Meu Deus, meu Deus!!! É um rato, é um rato gigante!!

    Desesperado, Mike tentava golpear o rato, que o surpreende quando levita. Parecia ter cabelo longo esverdeado e um corpo pequeno e humanoide.

 — Você é o... — O tal rato começou a falar, mas recebeu uma vassourada na cabeça e caiu desmaiado. Eufórico, Mike se encostou no armário, quando ouviu a campainha tocar. Desesperado, ele pegou seu celular e saiu de casa.


*Leia ouvindo isso*

    Bianca havia ido buscar Mike em casa para os dois irem juntos ao Luna Park, a maior atração turística de Coney Island. Trata-se de um gigantesco Parque de Diversões, marcado pela requisitada roda gigante que permite uma vista panorâmica de toda a cidade. Hoje, uma modelo famosa desfilaria no parque, a Elesa Eletrizante. Mike podia não ser o mais interessado em moda, mas gostava de se distrair.

 — E as suas amigas? — perguntou Mike, pegando um algodão doce branco num quiosque. Bianca segurava um outro, da cor rosa.


 — Elas... Não puderam vir — respondeu, virando-se de costas para o amigo e observando a multidão de pessoas com bastões de luz nas mãos.


 — É uma honra estar aqui! — A modelo surgiu numa grande passarela montada especialmente para seu desfile. A multidão gritava loucamente e Mike e Bianca riram juntos, assistindo de longe.

 — O que houve, Mike? — Bianca perguntou, reparando na rápida mudança de expressão do garoto. Ela precisou repetir mais alto por conta do barulho.

 — Ah, você sabe... Meus pais brigando como sempre e as provocações no colégio... O de sempre. Ainda surgiu uma ratazana esquisita lá em casa, não tive coragem de tirar de debaixo da cama.

 — Amigo, você precisa se soltar! Vamos aproveitar juntos essa noite, tá bom? — perguntou, segurando nas mãos do menino e o puxando. Ela se afasta e começa a dançar, subindo as mãos pela cintura e as levando acima da cabeça, começando a fazer movimentos como orelhas de gato abanando.

    Contagiado, Mike começou a rir, improvisando algum passo, abaixando o boné e o subindo. Ele sentia-se leve naquele momento, mas avistou o rato de antes, flutuando atrás de Bianca. Curioso, observou melhor a criatura, que o chamou com as mãos e voou para atrás de uma árvore.

 — E-Eu... Vou comprar mais algodão doce! — Inventou para poder sair dali. Bianca assentiu, mas desconfiada.

    Atendendo ao chamado, Mike foi para trás da árvore, mas não encontrou a criatura. Ele pensou estar vendo coisas, mas sentiu duas mãos em seus ombros. Virou-se bruscamente e viu Bianca, o encarando séria.


 — Você está fugindo, não está? Por que sempre faz isso?

 — Bianca, eu não... — Ele voltou a se desconcentrar quando viu a criatura flutuante mais uma vez, o chamando com as mãos por trás de Bianca.

 — Se você não queria vir comigo, tudo bem. Não precisava mentir para ir embora. É por isso que eu sou sua única amiga, você é incapaz de...

 — Eu tenho que ir! — Ele deu as costas e correu para fora do parque, seguindo a criatura.

    Quase tropeçando enquanto corria, Mike só sentia que algo naquele ser humanoide e flutuante o atraía. Ele seguiu até um beco escuro, mas enquanto corria, foi vendo uma luz no final e sentiu seus pés pisarem em algo macio. Ele se viu num jardim florido e ensolarado, muito confuso com isso. Viu a criatura parada de frente para ele e recuou um passo.

 — Quem... É você?



 — Oi, humano! Sou Meloetta. Eu te perdoo por ter me nocauteado antes. — A criaturinha respondeu, flutuando para perto dele.

 — C-Como você consegue falar, rato?

 — Não sou rato, sou Meloetta! Humano, eu completei minha missão em te encontrar. Você precisa vir comigo, a anciã previu que a Verdade e o Ideal vão combater de novo e... — Ela já segurava na mão de Mike e tentava puxá-lo.

 — Calma, calma, muita calma nessa hora! Eu não faço a mínima ideia do que você esteja falando! E mesmo que eu fizesse, como poderia te ajudar? Sou só um estudante...

 — Ah, então você se chama assim? Humano Estudante.

 — N-Não! Meu nome é Mike!

 — Ah, sim! Eu sou Meloetta.

 — Você já disse isso...

 — Enfim, Humano Estudante Mike! Você tem que vir comigo!


 — Que sonho mais maluco que eu estou tendo, hahaha!! É daqueles sonhos conscientes, não é? Cara, estou conversando com um... O que você é mesmo?

 — Pokemon, e isso não é sonho!

 — Tomara que eu me lembre disso quando acordar, Porco Mãe!

 — Pokemon! Ai, não temos tempo, por favor, venha comigo!!

 — Ah, o que custa, né? — Ele decide continuar seguindo Meloetta, caminhando entre as flores. Havia uma árvore com um fluxo azulado borbulhante no tronco.

 — Esse é o nosso transporte! — Ela aponta para o fluxo. Dando os ombros, Mike salta para dentro junto dela.

    Deparando-se com uma imensidão azul, Mike se assusta ao perceber que não conseguia respirar, levando as mãos até o pescoço. Tinha a sensação de ter mergulhado numa piscina. Meloetta mantinha-se focada e, quando ele pensou que não aguentaria mais, caiu numa superfície gramada e recuperou o ar.

 — Wow... — Levantando-se, ele se depara com a paisagem de um maravilhoso parque florido, mas sem nenhum humano por perto. — Com certeza tinha alguma coisa esquisita naquele algodão doce que eu comi...


 — Tcharam!! — Meloetta flutua ao redor da cabeça de Mike. — Agora estamos no meu mundo! O Parque Gracidea é lindo, não acha? Abençoado pelos poderes de Shaymin!

    Caminhando um pouco pelo parque, Mike chega até uma área com diversas outras criaturas que nunca havia visto antes. Todos o olhavam com espanto, até mesmo os semelhantes a peixes que viviam num lago.


 — Mas o que é aquilo ali, Ronald? — uma marmota bípede com lacinhos na cauda pergunta, abraçando seu marido, igual a ela só que de cartola preta.

 — Não faço ideia, Margareth, mas não parece um Pokemon. Não se aproxime dele, Junior!

 — Tá bom, papai. — Um pequeno esquilo com olhos enormes responde, observando algumas bolinhas de sabão.

 — Quaaaaaaaaack! Mas o que temos aqui... — Um pato com penas azuladas se aproxima de Mike, observando-o bem de perto. — Quaaaaack!! Céus, você cheira mal!


 — Que adoráveis! Vocês são criaturas do meu subconsciente super criativo?! — Mike pergunta, pegando o esquilo no colo.

 — Solte o Junior!!

 — Quaaack! Ele está querendo nos pegar! Pode ser um enviado de Bisharp, chamem a anciã!!! — O pato entra em pânico, começando a correr em círculos até que bate a cabeça no tronco de uma árvore.

 — Acalme-se, Ducklett! Ele acabou de chegar no nosso mundo! — disse Meloetta, prestando assistência ao pato. — Oh, Humano Estudante Mike, você está pisando no Stunfisk...

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 — Uh... Você me amassou todinho... — disse o Stunfisk, um peixe de lama que quase grudou nos sapatos de Mike.

 — Amigos, se ele veio de outro mundo, é um alienígena? — perguntou uma Pokemon com um vestido de folhas e uma grande flor na cabeça. Meloetta a chamou de Lilligant enquanto tentava explicar a situação.

 — Vamos queimá-lo vivo! — gritou Junior, o esquilo, que ainda estava nos braços de Mike.

    Todos os Pokemon gritam e correm na direção de Mike, que ria descontroladamente da situação, acreditando que estava sonhando.

 — Vocês são engraçados, me lembram até uma vez que eu... — De repente, Mike recebe um soco da marmota de cartola, caindo sentado. Sua bochecha começa a doer e ele se surpreende. — Dá pra sentir dor num sonho...?

 — Quaaack! Está nos ameaçando?! Quer nos causar a dor eterna?!

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 — Agora eu que vou te amassar! — Stunfisk balançou as barbatanas e saltou para cima de Mike, o derrubando de costas. Os outros Pokemon se juntam para bater nele.

 — Parem, parem!! Meloetta, por favor!!

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 — Mas isso não é um sonho? — Meloetta flutua ao redor de Mike, que tentava escapar dos Pokemon.

 — Tá, talvez isso não seja um sonho... Por favor, me ajude!

 — Então tá bom! — Meloetta flutua até a frente dos Pokemon enlouquecidos e tosse duas vezes, se preparando para cantar.

 — Meloetta, não confie nesse alienígena! — Uma peixe em formato de coração rosa nadou até a beira do rio, exclamando para a Meloetta. —  Eu soube que ele veio de Saturno e quer nos escravizar. Também descobri uns segredos sobre a anciã e...

 — Quaaaaaaackkk!!! Guarde suas fofocas mentirosas para outra hora, Alomomola!

 — Bem, vamos lá. — Meloetta começa a cantar uma calma melodia. Seu cabelo esverdeado balançava e partituras musicais se materializavam. A canção relaxa todos no local, inclusive Mike, que abraça Junior. O casal se senta na grama para curtir a música, enquanto Ducklett, Lilligant e Stunfisk acabam adormecendo juntos. Alomomola desiste de fofocar, prestando atenção. Então, Meloetta desce até a cabeça de Mike.

 — Amigos, por favor, esse é o Humano Estudante Mike, ele é o Escolhido!

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 — O Escolhido? — Movendo-se lentamente, uma Pokemon mais alta do que todos os outros e com um longo vestido preto com laços brancos aproximou-se. Havia uma esquila ao seu lado, branca e com as bochechas redondas e amarelas.

 — Oh, Quaaaaaackkkk!!! Anciã, Pachirisu, olhem, olhem! Meloetta trouxe um alienígena! — Ducklett logo teve seu bico calado por alguma magia da anciã, o que deixou Mike impressionado.

 — Meloetta, esse é o humano que seu Mestre a pediu para trazer?

 — Humano, huh? Humanos são reais? — Vários sussurros são escutados pela anciã, que manda todos se calarem.

 — Exato, Anciã Gothitelle. Ele se chama Humano Estudante Mike.

 — Só Mike. — Mike interfere na conversa, porém, ao ser encarado por Gothitelle, se sente intimidado e recua.

 — O leve até o seu Mestre. — A anciã conclui, se virando para os Pokemon do parque. — E a vocês, que isso sirva de lição. Não saiam atacando qualquer um que encontrem sem que eu tenha dado uma ordem. Confiem sempre em mim.

 — P-Perdão, Anciã — disseram todos os Pokemon, curvando-se. Mike voltou-se para Meloetta, que o olha sorridente.

 — Meloetta, eu ainda não entendi... O que eu tenho com isso tudo? Realmente não é um sonho?

Resultado de imagem para Meloetta Pokemon

 — Você é o escolhido! O escolhido nos salvará do perigo! — Meloetta rodopia, extremamente alegre. Os outros Pokemon no local a imitam enquanto Mike tentava se beliscar para acordar, mas em vão. Ele cerra os punhos, suando frio.

Continua

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sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Ash VS Cynthia a verdadeira batalha


     Um festival dos sonhos para determinar o Treinador Pokemon mais forte. O Torneio de Mestres do Campeonato Mundial Pokemon. A batalha entre sete Treinadores poderosos e o Ash em busca do primeiro lugar começou com a vitória de Alain sobre Leon, seguindo de Diantha e Cynthia avançando para a semifinal. Por ter que sair para ir num date com Wallace, Steven foi desclassificado e Ash também avançou. Enquanto Alain e Diantha aguardam seu momento de batalhar, os outros semifinalistas se preparavam para entrar em campo e iniciarem uma batalha completa.


    Lucario e Sirfetch'd estavam juntos porque são muito amigos, mal sabiam que iam brilhar muito nessa batalha.


    Pikachu pensava em qual Pokemon o derrotaria no primeiro episódio da próxima saga, talvez um Fuecoco? Sprigatito? De qualquer forma, queremos imagens, então perca mesmo.


    Já Dracovish fazia palhaçada pra Dragonite e Gengar, que tremiam o cu com medo da Cynthia porque sabiam que só eles tinham alguma chance de fazer algo ali.


    E o nosso campeão de Alola sem nenhum Pokemon de Alola estava levando muito a sério como sempre.


Ash: Chegou a hora gente vamos lá vencer a Cynthia kk


Goh: querido estou indo encontrar o gary ok lindo? me empresta o cartão?

Ash: claro amor volta logo 

Goh: kk sim tchau otario


    Enquanto isso, Cynthia encontrava sua amiga no corredor do estádio para chegar ao campo.


Diantha: Torcerei por você, amiga! Você é a única que pode impedir o Leon de continuar invicto!


Cynthia: Tá desmerecendo o Ash, vadia?


Diantha: Sim? Você acha que aquilo tem alguma chance?


Cynthia: Ainda bem, ele não tem mesmo!


Oak: gente, vamos assistir o ash lutando com a cynthia usando um time que não tem relação nenhuma com esse combate, tá? Infernape pode sentar aqui do lado


Diantha: Ó vai começar, Alain, vem assistir


Jessie: oie galera não temos mais função há mais de 20 anos no anime mas ainda estamos aqui pra quem se perguntou aonde estávamos nos últimos 30 episódios

James: filma o morpeko que não fez nada a saga toda, filma

Meowth: virei palhaço de vez mas ainda tem quem exija a gente roubando o rato


Dan: comecem a luta aí que esperaram mais de dez anos pra ver


cynthia venceu todos usando só o gastrodon e fim odeio mto o ash pra ficar tirando print dele